quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Iguape, rica em natureza e história.

Vista de Iguape, do Mirante do Cristo
              Pra quem estiver com um tempinho a mais em sua viagem, vale à pena alterar o percurso de volta e fazer uma parada em Iguape. Saindo de Antonina, pegue a rodovia PR-405 e siga até a divisa com o estado de São Paulo, onde ela se tornará a SP-101. Após isso, é só seguir as informações que indicam o município. Com pouco mais de 27 mil habitantes, segundo o IBGE 2001, a cidade possui grandes atrativos que envolvem sua história e suas belas paisagens naturais, como praias, edifícios históricos, museus, além da Estação Ecológica de Juréia-Itatins

Interior Basílica do Senhor Bom Jesus do Iguape
            Fundada por volta de 1538, Iguape foi bastante valorizada nos meados deste século, quando foram descobertos veios auríferos na região. Entretanto, nos fins do século XVII, com a descoberta de imensas fontes de ouro nas Minas Gerais, os mineiros iguapenses se voltaram para esta região, fazendo com que Iguape e região entrassem em decadência. Após passar por períodos de grandes dificuldades, a cidade voltou a se reerguer no século seguinte, com atividades de construção naval. Mas somente na primeira metade do século XIX o município atingiu seu grande apogeu, através do ciclo do arroz. A produção de arroz de Iguape chegou a recebeu prêmios por sua qualidade e a cidade obteve expressiva importância econômica no período. Porém, em fins do século XIX, com a falta de modernização da lavoura, a abolição da escravatura e a abertura do Valo Grande, que assoreou o Mar Pequeno, onde se localizava o principal porto de exportação do local, a atividade começou a entrar em decadência, trazendo grandes prejuízos à cidade, que só voltou a se reerguer a partir da década de 1930, com atividades de pesca, produção de palmito e banana e, mais tarde, novas indústrias. Atualmente, uma das principais atividades econômicas de Iguape é o turismo e o município se organiza, cada vez mais, para buscar a qualidade neste setor. (Dados obtidos através de relatos do Prof° Zysman Neiman e do site http://www.guiadeiguape.com.br/).
Casario antigo
         Atividades e atrativos é o que não falta em Iguape e região. A cidade possui o maior centro histórico e arquitetônico preservado do Estado de São Paulo, com mais de 60 construções em estilo colonial português, dentre eles igrejas e casarões. Num rápido passeio pela cidade já se pode perceber a enorme quantidade estes edifícios preservados e, consequentemente, a importância histórica de Iguape. Diversos museus contam um pouco desta histórica, de mais de 470 anos, cheia de altos e baixos. O Museu Histórico e Arqueológico, localizado no centro histórico, se instala no edifício em que antes funcionava a primeira Casa de Fundição de Ouro do Brasil. O local expõe painéis gráficos, objetos e documentos que retratam este período histórico e na exposição arqueológica, são encontrados ícones que retratam os sinais da ocupação pré-colonial, como objetos cerâmicos e ósseos. O Museu de Arte Sacra, instalada na Igreja do Rosário, expõe santos pratarias, objetos e relíquias religiosas da história da cidade.
Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape
            A principal igreja do município é a Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape, construída por escravos, entre os séculos XVIII e XIX, em pedra, argamassa e óleo de baleia. Padroeiro da cidade, Bom Jesus de Iguape, possui grande tradição na cidade e uma festa popular religiosa é realizada todos os anos em sua homenagem, a Festa de Agosto, com missas, palestras, procissões, shows e feiras. Assim, a cidade recebe romeiros de todos os lugares do Brasil que vão render graças a Bom Jesus.
            Os principais atrativos naturais da região de Iguape estão praticamente concentrados na Estação Ecológica de Juréia-Itatins. A Unidade de Conservação abrange os municípios de Miracatu, Itariri, Peruíbe e Iguape, sendo esta abrigando maior área. Como forte atrativo, destaca-se o Costão da Juréia, onde se pode observar ecossistemas costeiros como dunas, restingas e mata atlântica. O acesso ao local depende das marés, que podem impedir ou liberar a passagem. O Costão ainda é porta de entrada para uma das mais famosas trilhas da região, a Trilha do Imperador. A trilha recebeu este nome por servir de transporte de mercadorias e passagem de informação entre o império e outras regiões do país, e recebeu uma linha telegráfica ligando Iguape e Santos, em 1871. Durante o percurso pode-se encontrar vestígios da atividade telegráfica e grandes exemplares de Mata Atlântica.
Casario histórico
            O Mirante do Cristo oferece uma ampla vista de toda a cidade de Iguape e Ilha Comprida, onde se pode avistar o Complexo Estuarino Lagunar do Mar Pequeno, rico em vegetação de mangue, berçário de espécies marinhas; o Valo Grande e outras ilhas. Vale a pena uma visita pelo local, que pode ser acessado de carro, a pé, de motocicletas ou bicicletas. O mirante também é ponto de partida para outra trilha, de 2 km de extensão, que se estende até o mirante da Pedra Lisa, podendo ser observadas espécies da mata atlântica como figueiras, bromélias, orquídeas, entre outras.
Mirante do Cristo
            Àqueles que buscarem outras opções, há a possibilidade de fazer uma visita ao município de Ilha Comprida. O acesso é feito por uma ponte que liga Iguape à ilha, onde turistas pagam pedágio.
            No município de Iguape, atrativos não faltam, entretanto, a cidade caminha no desenvolvimento da atividade turística e alguns quesitos deixam a desejar. Não há uma boa oferta de estabelecimentos de hospedagem na cidade, se restringindo a poucos locais e, muitas vezes, com serviços ineficientes. O mesmo se conclui para os estabelecimentos de restauração, que não possuem características fortes, nem mesmo tradicionais da região. Mas, ainda assim, recomenda-se uma passagem pela cidade para desfrutar de suas belezas naturais e de seu patrimônio histórico de extrema valia.

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